Blog by Guedex
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sexta-feira, 9 de abril de 2010

A cama se arma

Reprodução: Blog do Juca Kfouri

Por CLAUDIO WEBER ABRAMO (*)

Leio que Ricardo Teixeira, em solenidade na Academia Brasileira de Letras (??!!), teria declarado que “Se as obras [de construção e adaptação de estádios] não começarem até o início de maio, passaremos por sérios problemas”.

O “alerta” de Teixeira estimula a seguinte reflexão.

Uma das formas mais manjadas de corrupção em contratações é protelar a concorrência até que o prazo de entrega do serviço ou produto fique tão apertado que se torne impossível de fato realizar uma concorrência.

Como a coisa ou o serviço precisam ser feitos, decide-se então fazer a contratação por “emergência”, ou seja, sem concorrência.

Na contratação por emergência, o sujeito que decide meramente escolhe uma empresa fornecedora e firma o contrato com ela.

Assim se fez com as malfadadas obras do Panamericano do Rio.

Como é que a empresa fornecedora é escolhida?

Bem, como o sujeito que decide faz isso a partir de sua vontade, e como essa vontade pode ser comprada, basta molhar a mão do cara (usualmente, não é um só sujeito, mas uma quadrilha).

Fim da reflexão.

Mas indago:
Quem são os sujeitos que decidem aplicar dinheiro público para a construção ou reforma de estádios? Os nossos inestimáveis políticos.

Quem é o indivíduo que decide se o estádio X será ou não palco de jogos da Copa?

(*) Claudio Weber Abramo é diretor executivo da ONG Transparência Brasil.

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