Reprodução: Coluna do Juca Kfouri, Folha.com
Se é difícil discutir falsidades, ainda mais complicado é
enfrentar a desonestidade intelectual
O AUTOR do dossiê em que a CBF está se baseando para
reescrever a história do nosso futebol para, quem sabe, tratar Dom Pedro 1º e
2º como presidentes do Brasil, alega que a ditadura e a "Placar" são
também responsáveis pelo esquecimento da Taça Brasil e do Robertão, como
revelou o diário "Lance!".
Ele está brincando com a história e abusando da
desinformação, além de tentar, como tem sido moda de uns tempos para cá,
ideologizar uma polêmica que não é ideológica, é apenas clubística de sua parte
e de alguns outros fanáticos.
Chutar a ditadura virou esporte nacional e praticado também
por aqueles que, em regra, silenciaram-se durante sua vigência. Que bom!
Sim, a ditadura quis integrar o país pelo futebol, com o tal
campeonato "onde a Arena vai mal, um time no Nacional".
Mas jamais tratou de desfazer do passado, até porque foi
apoiada pelo então presidente da CBD, João Havelange, adulador de ditadores
como os nossos, os argentinos etc, e pai da Taça Brasil.
Quanto à "Placar", só por má-fé ou ignorância
alguém pode dizer que não tenha se preocupado com a história pré-1970, ano em
que foi lançada.
Seus fundadores, entre os quais não estou, não só jamais
acharam que o futebol brasileiro nasceu com a revista como, também, nunca
advogaram que tenha nascido em 1959, com a primeira Taça Brasil.
E basta consultar sua coleção para encontrar séries e séries
sobre a história do futebol, algumas escritas por gente do calibre de João
Máximo.
A desonestidade intelectual tem chegado a tal ponto que os
defensores da unificação subtraem o argumento daqueles que defendem que os
quatro Robertões sejam tratados como Campeonatos Brasileiros, mas não a Taça
Brasil.
E subtraem talvez porque o Palmeiras, aí, fique em vantagem
em relação ao Santos, pois passa a ser hexacampeão, enquanto o alvinegro vira
tri.
Mas já se falou demais entre os que defendem e os que não
defendem a unificação com a inclusão da Taça Brasil, sobre a sua importância à
época e o que conquistá-la significou para o Bahia, o Cruzeiro ou, sobretudo,
para o Santos, pentacampeão.
Só não deveria valer golpes abaixo da cintura, porque já é
demais.
E seu autor, fã de João Havelange, deve pedir a ele nova
carta, onde diga que a ditadura, que apoiou, condenou a Taça Brasil ao lixo da
história.








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