Reprodução: Portal 2014
O Brasil está levando a sério a missão de organizar a Copa
2014?
Aparentemente não.
O levantamento feito pelo Portal 2014 mostra que apenas oito
dos estádios estão em andamento, dois ainda tem problemas de licenciamento e
dois ainda nem estão inteiramente definidos: Natal e São Paulo. Apenas quatro
cidades firmaram o financiamento com o BNDES.
Os investimentos nos aeroportos já estão atrasados, com
parte dos mesmos não conseguindo atender nem a demanda atual E os impasse em
relação ao modelo de exploração permanecem.
A expansão hoteleira, a cargo do setor privado, ainda
patina, pela insegurança com relação à demanda futura.
Dentro do padrão Lula de que na hora se dá um jeito, e a
organização da Copa 2014 será um sucesso, há o adiamento sucessivo, escamoteado
por declarações otimistas de que tudo está sob controle, que todas as
pendências estão resolvidas.
O problema maior é o estádio de São Paulo, em que nada está
resolvido em definitivo, mas todas as declarações são de que serão resolvidas a
tempo.
O Governo Federal se eximiu do gerenciamento dos estádios,
deixando o apoio apenas mediante financiamentos do BNDES. O Ministro dos
Esportes fica apenas em cobranças inúteis, pois não tem nenhum poder, tampouco
compromissos.
O legado de Lula para Dilma, em relação à Copa 2014 é pesado
e não é uma herança bendita.
Dilma é uma gerentona e quando se deburçar sobre os
cronogramas e as pontas soltas na implantação dos estádios, terá profundas
crises de irritação. Terá absoluta noção da irresponsabilidade com que as
coisas foram tocadas, mas não poderá reclamar em público, porque decorrem do
estilo Lula de governar.
Tentará por a “casa em ordem”, mas com quem?
A parte mais fácil será resolver a questão hoteleira.
Chamará os empresários e dará primeiramente um “puxão de orelha”. Depois
perguntará o que eles precisam para efetivar ou acelerar os investimentos. Na
prática eles estão esperando por isso. Querem a extensão do RECOM, ou seja, o
pacote de benefícios fiscais dados aos estádios, para a construção dos hotéis.
O problema é quem vai acompanhar e tomar conta da execução dos empreendimentos?
O Minsitério do Turismo foi entregue a um indicado de José Sarney. Maranhão,
São Luiz, Barreirinha não estão na linha direta da Copa. O Ministro dará
prioridade à expansão hoteleira para a Copa.
Considerando ademais que em cidades como São Paulo, Belo
Horizonte, Curitiba e outros, a predominância é do turismo de negócios e não de
lazer.
Os estádios serão a sua segunda dor de cabeça, mas para a
qual tem uma solução técnica, que já deveria ter sido adotada há muito tempo,
como fizeram os sulafricanos: contratar uma empresa ou um consórcio de empresas
de gerenciamento de empreendimentos para gerenciar a implantação dos estádios.
Essa contratação deveria ser feita no âmbito do Ministério do Planejamento. Ai
é uma questão de vontade política para superar as eventuais resistências, mais
internas do que externas.
Já os aeroportos são um problema maior porque para efetivar
os investimentos necessários a tempo só conseguirá mediante a concessão, que na
cabeça dela e do PT representam privatização, figura execrada. Ela terá que
mudar a posição adotada na Campanha e ampliar o modelo adotado para o Aeroporto
de São Gonçalo do Amarante, no Rio Grande do Norte.
O qual seria o modelo para viabilizar o terceiro aeroporto
internacional de São Paulo, pretendido pela Camargo Correa, em Caieiras.
Com isso resolveria o principal nó da infraestrutura
aeroportuária.
Se insistir na tentativa de manter os principais aeroportos
sob gestão da Infraero, acreditando na possibilidade de ampliar o seu capital,
mediante um IPO só perderá tempo. O problema maior é das regras para a
contratação da Infraero, como estatal, sujeita à lei nº 8.666/93. Que são
controladas com rigor pelo Tribunal de Contas da União.
Poderá tentar fugir a esse rigor, mediante uma Medida
Provisória, excetuando a Infraero dos rigores da lei nº 8.666/93, mediante
mecanismos licitatórios próprios, a semelhança do que foi estabelecido para a
Petrobras.
Mas na prática o TCU mantém o controle e susta prazos,
sempre que acha indícios de irregularidades.
Acreditar que Ciro Gomes seja capaz de romper o nó é uma
ilusão que ela mesmo, provavelmente, bem o saiba.
E mesmo que consiga evitar o TCU não conseguirá fugir do
Ministério Público.
Ela poderá conseguir por a casa em ordem, mas
não a tempo da Copa 2014.








3 comentários:
O problema do terceiro aeroporto de São Paulo é que ele fica na rota do tal Trem Bala. E aeroporto é concorrência para o Trem Bala, pois são produtos para a mesma classe social (alguém acredita que esse é para a população de baixa renda?).
E se tiver concorrência não aparecerá interessados nessa pequena obra de R$ 18 bilhões (mesmo com os fundos de pensão estatais sendo sócios desse mico).
"Dilma é uma gerentona"? Ok, vou dar o beneficio da dúvida... Agora, que o novo Ministro de Turismo entende de hotéis não há dúvida: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20101222/not_imp656847,0.php
São Gonçalo do Amarante não pode ser tido como exeplo de nada. Tá lá um aeroporto em que a empresa que ganhar o direito de explorar não pagará nada pela construção. Quem está pagando somos nós contribuintes. Quem está construindo o aeroporto é Infraero e Exército Brasileiro. Mesmo assim, esses dias surgiu o primeiro problema: O EB está com problemas junto das empresas que contratou para tocar a sua parte da obra, e não tem conseguido dar continuidade. Bonito esse modelo tão aplaudido, né? Mas sim, concordo que a Infraero deva deixar de seguir a 8.666 Isso seria um avanço significativo para solução dos problemas.
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