Reprodução: LANCENET
O Ministério Público de São Paulo aprecia denúncia de que
dirigentes da Federação Paulista de Futebol (FPF) formaram um cartel com a
Estática Internacional para a venda de placas de publicidade ao redor dos
gramados do Paulistão.
A acusação é da SmartVision, interessada há anos na
propriedade, com que a G4 Aliança Paulista tratou de um acordo recentemente,
mas depois recuou.
O promotor do consumidor Roberto Senise recebeu uma
representação de Thomaz Jarussi, diretor comercial da SmartVision, no inquérito
civil que apura a qualidade da venda de ingressos no Paulistão. Por conta
disso, Senise deve pedir esclarecimentos à FPF e a Estática, tal como observar
o contrato entre as partes. A parceria vem desde os tempos de Eduardo José Farah
(presidente da entidade entre 1988 e 2003).
A SmartVision ofereceu mais de R$ 400 mil anuais pelas
placas para Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos. A empresa que
intermediou o acordo do BMG com o Tricolor, prometeu aos clubes chegar a R$ 1,3
milhão por temporada ao longo do vínculo até 2015.
A FPF e a Estática pagaram R$ 300 mil anuais a esses clubes
pela edição de 2010, reclama a SmartVision. E, ainda assim, conseguiram que os
quatro grandes clubes assinassem o contrato de R$ 900 mil por cada temporada
até 2015.
A primeira versão de presidentes e diretores de marketing
dos clubes é de que esse contrato foi colocado propositalmente no meio de
outros já avaliados por seus advogados. E, no almoço que garantiu a transmissão
exclusiva de TV da Rede Globo até 2015, ele acabou assinado sem que
percebessem.
A segunda versão dá conta de uma discussão entre os
presidentes. Como a Estática prometera parte do dinheiro adiantado, Andrés
Sanches se antecipou e assinou o contrato. Luiz Gonzaga Belluzzo foi um dos
mais exaltados. Ofensas ocorreram até por email.
- Recebi a representação como parte do inquérito que apura a
qualidade da venda de ingressos (mais orientação ao público, mais guichês, mais
opções de pagamentos...). Em seguida me foi enviada uma petição da G4, a qual
nem consegui ler ainda. Se as colocações da SmartVision tiverem algum
fundamento, remeterei ao Gedec para que proceda com a avaliação do ponto de
vista criminal - esclarece Roberto Senise, referindo-se ao Grupo de Atuação
Especial de Repressão à Formação de Cartel e Lavagem de Dinheiro e Recuperação
de Ativos, do Ministério Público.
Se ficar comprovado um crime contra a economia ou relações
de consumo por parte de dirigentes e empresários, o MP pode pedir à Justiça
reclusão de dois a cinco anos, ou multa.








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