Reprodução: Folha.com
Na proposta de unificação dos títulos nacionais brasileiros,
a grande polêmica está na Taça Brasil, pioneiro torneio que tinha um caráter de
copa e era curto e restritivo.
Caso a CBF equipare todos os torneios
nacionais entre 1959 e 1970 ao Campeonato Brasileiro, uma revolução estatística
e histórica estará decretada no futebol nacional. E é a Taça Brasil que
alimenta os críticos à unificação total.
A Taça Brasil foi criada em 1959 para
que fosse indicado um representante para a Libertadores, nascida em 1960.
Foi adotado para o torneio o sistema
de mata-mata. O Bahia, campeão, fez 12 jogos porque entrou em fase preliminar.
O Santos, por ser de um Estado mais tradicional no futebol, entrou apenas na
semifinal. Clubes paulistas e cariocas tinham essa regalia.
Em 1963 e em 1965, o time de Pelé
precisou de só quatro jogos para ser campeão da Taça Brasil. O Brasileiro em
que o campeão fez menos jogos foi o de 1989 --o Vasco triunfou em 19 partidas.
Apenas os campeões estaduais entravam
na Taça Brasil, algo que se repetiu em 1989, ano da criação da Copa do Brasil,
a segunda competição mais importante do país na atualidade.
O Santos, hegemônico na era de Pelé, ganhou
cinco vezes seguidas a Taça Brasil, entre 1961 e 1965. Nesse penta genuíno, fez
um total de 24 partidas, pouco mais que um turno do Brasileiro atual. Também
não pegou alguns grandes clubes nos títulos.
Após o Rio-São Paulo terminar de forma
melancólica em 1966, com quatro clubes dividindo o título, foi criado o
"Robertão", ampliação do Rio-São Paulo com times de alguns outros
Estados com futebol forte na época, notadamente Minas Gerais e Rio Grande do
Sul. O modelo foi o de um campeonato.
A Taça Brasil prosseguiu. O Palmeiras,
em 1967, venceu tanto o "Robertão", quando superou 14 rivais, como a
Taça Brasil, na qual duelou só contra Grêmio e Náutico -- foram cinco jogos.
Em 1968, Palmeiras e Santos, dois
clubes que lutaram pela unificação, abandonaram a Taça Brasil. O torneio quase
não chegou ao fim. O Botafogo passou pelo Metropol, de Criciúma, por W.O. (era
normal clubes reclamarem de calendário e viagens).
Com a unificação, o Palmeiras será
campeão duas vezes do Brasileiro em 1967. E 1968 vai ter dois campeões.
Bate-papo
Rodrigo Bueno, repórter e colunista de
futebol da Folha, participará de um bate-papo amanhã às 17h na Folha.com sobre
a polêmica unificação de títulos nacionais do país.
Colaborador da IFFHS, Bueno cuida dos
rankings de clubes do jornal. A lista nacional trará novidades neste final de
temporada.








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