Reprodução: Olhar Crônico Esportivo, globoesporte.com
Como era esperado, a gastança com 2014 vai bem, obrigado.
A coisa está tão boa, para alguns, que o próprio TCU, ora
veja, teve que intervir na nonacentésima reforma do Maracanã. Não creio que
isso vá resolver grande coisa e, pelo andar da carruagem, é capaz que o estádio
chegue em 2014 montado em polpudo 1,5 bilhão de reais em custos de reforma,
pelo menos.
Fonte para isso?
Nenhuma, apenas meu próprio feelling, de quem vive em
Pindorama desde que nasceu, no distante 1954, e que já viu um monte de
histórias parecidas, tendo passado pela febre estadística do começo dos anos
setenta, por conta das comemorações do sesquicentenário da Independência. Em
tempos mais recentes, como no Pan, o Engenhão, por exemplo, partiu de um custo
inicial de 40 irrisórios milhões de reais e terminou, dizem e juram, em 400
milhões. Se bem que, a bem da verdade, há quem diga 380 milhões. Gosto de ser
justo.
Com um detalhe nessa questão do Maracanã: logo depois da
Copa, o estádio será novamente reformado – a palavra oficial é adaptado – para
os Jogos Olímpicos de 2016. Ao que consta, a adequação terá alguns custos.
Pois é.
A cidade de São Paulo continua sem estádio e sem obras, mas
o prefeito acaba de conceder 50% e 60% de isenção em taxas e tributos, para a
construção do estádio do Corinthians e mais a emissão de CDIs no valor de até
200 milhões de reais.
Como político esperto, cada dia mais, o prefeito correu a
explicar que isso não se tratava de dinheiro público. Ora, ora, francamente,
senhor prefeito, desde quando e onde isenção fiscal não é dinheiro público?
Parte da resposta eu sei, parte não sei.
Desde quando renúncia fiscal, no caso deixou de ser
considerada pelos seus responsáveis eu realmente não tenho certeza, mas creio
que essa coisa começou ali pelos anos 70.
Agora, onde ela não é considerada como dinheiro público, ah,
isso eu sei: Pindorama! Ou Terra de Vera Cruz. Ou, simplesmente, Brasil. Aqui,
nossos políticos não consideram que abrir mão de impostos e taxas seja fornecer
dinheiro público ao beneficiado. Talvez pelo fato do dinheiro não entrar no
caixa e dali sair.
Então tá bom.
Com os CDIs o processo é mais interessante, mas continua
sendo emprego de dinheiro público. A prefeitura vai emitir papeis – os CDIs –
em valores variáveis para diferentes empresas ligadas ao projeto. Esses valores
poderão chegar a até 60% do custo total investido. Esses papeis serão entregues
aos investidores após a conclusão do projeto, no decorrer de cinco anos, com
seus valores corrigidos. O investidor de posse dos mesmos, poderá usá-los para
pagamento de débitos próprios em impostos, taxas ou compra de bilhete único ou
ainda para pagamento de dívidas com a municipalidade. Poderá, também,
repassá-los a outras empresas. Ao fim e ao cabo, impostos, taxas, bilhetes
únicos deixarão de ser pagos em dinheiro. A prefeitura receberá papeis que ela
emitiu a título de incentivo. Trocando em miúdos, temos o emprego de dinheiro
público para as obras do estádio.
Nenhuma surpresa nesse fato, que é apenas o começo, aqui em
São Paulo. Teremos muitas outras notícias de teor semelhante nos próximos anos.








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