Reprodução: Folha.com
Eduardo Ohata
Está tudo pronto para que o presidente são-paulino, Juvenal
Juvêncio, fique mais três anos no poder.
Só o estatuto impede que o cartola se candidate à reeleição,
mas uma votação marcada para terça, em reunião extraordinária do conselho, será
o passo decisivo para que ele prossiga no poder.
Será colocado em votação parecer do jurista e conselheiro
Carlos Miguel Aidar que desconsidera o mandato de Juvenal entre 2006 e 2007.
Se o argumento de Aidar for aprovado no conselho, o mandato
de Juvenal que teve início em 2008 passa a valer como o primeiro, o que abriria
caminho para que se candidate ao pleito deste ano.
Rege o estatuto do clube que o presidente pode ter só uma
reeleição consecutiva.
Segundo Aidar, como há três anos foi aprovada emenda que
alterou a duração do mandato do presidente de dois para três anos, isso criou
uma nova ordem jurídica.
O mandato anterior de Juvenal seria "zerado". O
segundo, de três anos, é que seria contado como o primeiro.
Conselheiros da oposição, porém, dizem não ter sido informados
pelo clube, por meio de carta ou e-mail, sobre a reunião extraordinária. No
entanto o clube publicou, no último sábado, um edital em um jornal de São
Paulo. Mas o texto não explicava em detalhes o que seria votado.
Outro conselheiro e jurista ilustre, Ives Gandra Martins,
discorda da linha de raciocínio e lembra que dissensões são normais até mesmo
no Supremo Tribunal de Justiça.
"No meu entender, o aspecto material do estatuto, o
fato de não ser permitida mais de uma reeleição, não é maculado pela alteração
temporal, ou seja, do mandato de dois para três, quatro, cinco, oito
anos", diz Ives.
"Até brinquei com o Juvenal. Disse para ele que uma vez
perguntaram a Aristóteles por que ele não seguia a doutrina de Platão, seu
mestre. Ele respondeu: "Sou amigo de Platão, mas sou mais amigo da
verdade". Para ele, digo: "Sou seu amigo, mas sou mais amigo do
direito"".
Membros da oposição dizem que, se vingar, a mudança derruba
um dos principais argumentos para o São Paulo ser considerado moderno: a
alternância de poder na presidência do clube.
"Seria a fundação do São Paulo Futebol Clube do Juvenal
Juvêncio", diz Edson Lapolla, o virtual candidato da oposição no São
Paulo.








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