Reprodução: Blog do Perrone
Fiz uma espécie de visita guiada pelo Morumbi na companhia
do diretor de marketing do São Paulo, Adalberto Dellape Baptista. O objetivo
era conhecer as obras feitas para deixar o estádio em condições de receber
jogos da Copa do Mundo.
O tour terminou com uma inesperada passagem pela sala de
Juvenal Juvêncio. Assim que entrei, falei algo sobre as categorias de base para
puxar assunto. O presidente pegou um bloco de notas com o escudo do São Paulo e
seu nome. Rabiscou: 1 – Barra Funda, 2 – Cotia, 3 – Estádio, 4 - Torcida.
Enquanto rabiscava, falava sobre o aproveitamento dos pratas-da-casa no time de
cima, das receitas geradas pelo Morumbi e do fato de a torcida são-paulina ser
a que mais cresceu nos últimos anos.
Em seguida, o cartola concluiu: “Quem tem esses quatro
pontos, fecha o ciclo vitorioso. O São Paulo fechou o ciclo e por isso está
cinco anos adiantado em relação aos adversários”. Tive a certeza de que a
conversa caminhava para finalmente o cartola “confessar” que vai ser candidato
ao terceiro mandato, apoiado em uma mudança estatutária a ser feita nesta terça
pelo Conselho Deliberativo.
Juvenal disse ainda ter ouvido do ex-presidente Laudo Natel
que o Morumbi só foi concluído porque ele foi presidente por sete mandatos e
ficou por mais cinco na comissão de obras. “Se não ficasse não teria construído
mesmo”. Pensei, agora ele fala que é candidato. Não falou. Então, transformei a
conversa informal numa rápida entrevista.
O senhor já decidiu ser candidato, certo?
Não. Não desconheço que a maioria quer que eu continue na
presidência. Mas não temos pressa, todos conhecem os conselheiros, sabem quem
pode se candidatar. Vamos fazer a reunião do Conselho, decidir o que o clube
quer com calma. O assunto eleição só deve ser definido na segunda quinzena de
março [a votação será em abril].
Quem defende sua permanência diz que só o senhor pode
reconduzir o Morumbi à Copa do Mundo.
Não quero falar isso porque pode soar soberano. Mas admito
que sou um cidadão que sempre batalhou por isso. Trabalho há três anos nesse
projeto, conheço tudo muito bem.
Mas e o desgaste de mudar o estatuto? Um novo mandato não
seria antiético?
Disputei a última eleição e ganhei. Se meu adversário
[Aurélio Miguel, que prometeu acionar hoje a Justiça] tivesse vencido, ele
teria direito a dois mandatos sob as regras do estatuto atual. Mas eu só tenho
direito a um mandato [o outro foi com o estatuto antigo]. Ficou uma coisa
capenga, que precisa ser corrigida.
A entrevista termina. Antes que eu deixasse a sala, Juvenal
me entrega uma papelada: “Toma, é uma bomba”. Na verdade era uma relação de
todos os presidentes do São Paulo e uma manifestação de apoio ao terceiro
mandato de Juvenal assinado pelos ex-presidentes Laudo Natel e Manoel Raymundo
Paes de Almeida.
O manifesto fala no tal ciclo vencedor, na importância das
obras no Morumbi e conclama Juvenal a lançar sua candidatura. O tom vai ser
esse. De aceitar o apelo dos conselheiros. Mesmo depois de ler o manifesto, de
ouvir Juvenal e de ficar impressionado com a reforma do Morumbi, continuo
avaliando que a reeleição é desnecessária. O São Paulo não precisava desse
desgaste.








Um comentário:
Mas o Juvenal não era o novo Dualib, Mustafá?
Essa visão que confunde o torcedor...
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