Reprodução: LANCENET
Enquanto Juvenal Juvêncio se cala, Carlos Miguel Aidar e
ex-diretor debatem a reeleição na internet
Marcelo Braga
Luiz Antonio da Cunha, um dos porta-vozes do site Nem a pau
Juvenal, que em entrevista ao LANCENET! publicada na última quinta-feira
manifestou indignação pela tentativa de re-reeleição do presidente Juvenal
Juvêncio, escreveu uma carta aberta aos conselheiros pedindo para que, no dia
15, em reunião extraordinária do Conselho Deliberativo, eles não aceitem a nova
interpretação do Estatuto Social do Tricolor, que deverá passar a permitir o
terceiro mandato.
"Você está sendo convencido por advogados que querem
encontrar subterfúgios no texto estatutário para justificar como 'legal' outra
candidatura do nosso atual Presidente. Reputo isto como NÃO ÉTICO. Ética e
casuísmo não se coadunam. Não aceite. Prenda-se à própria leitura do caderno
que contém o nosso Estatuto Social. Está claro no art. 84: o cargo de
Presidente da Diretoria será ocupado por membro do Conselho Deliberativo, SENDO
VEDADA MAIS DE UMA REELEIÇÃO", diz um trecho da carta assinada por Luiz e
publicada no site Arquibancada Tricolor.
Em resposta publicada no mesmo site, o ex-presidente Carlos
Miguel Aidar (de 1984 a 1988, que apoia Juvenal) criticou a manifestação de
Luiz, ex-diretor adjunto de futebol do Sampa, e deu a sua posição em relação à
interpretação que será apresentada no dia 15:
"O que há, no caso, é uma tese jurídica fundamentada
que está sendo submetida ao poder competente, como, no caso, é o Conselho
Deliberativo do SPFC, que, como tal, será incumbido de decidir pela
interpretação que efetivamente se pretendeu dar ao teor do texto do Estatuto
Social. Essa é a forma de deliberação do SPFC, por meio do voto, o mais
democrático dos instrumentos disponíveis no mundo", diz.
A discussão ainda teve uma réplica de Luiz. Enquanto isso,
Juvenal preferiu seguir em silêncio, justificando-se por meio da assessoria de
imprensa que nunca havia agendado entrevista. Como publicado pelo L!, porém,
desde o fim de 2010 que o clube vem prometendo uma entrevista coletiva do
mandatário.
Confira abaixo a íntegra dos três comunicados:
De Luiz Antonio da Cunha
"Quem não sonhou algum dia, ser o Presidente do SPFC?
É nobre aspirar servir ao nosso "amado clube
brasileiro", do alto do seu mais importante cargo executivo eletivo.
Como também, tão ou até mais nobre é, colaborar de outras
formas, muitas vezes anonimamente, sem recompensas ao ego proporcionadas pela
detenção do poder e/ou, pela evidenciação às mídias.
Todavia, forma mais nobre de bem servir à Instituição não
há, do que respeitá-la. E respeito passa obrigatoriamente pela firme obediência
aos PRINCÍPIOS e regras, implícitos ou expressos, em sua Carta Magna: O
Estatuto Social.
Você está sendo convencido por advogados que querem
encontrar subterfúgios no texto estatutário para justificar como
"legal" outra candidatura do nosso atual Presidente. Reputo isto como
NÃO ÉTICO. Ética e casuísmo não se coadunam.
Não aceite. Prenda-se à própria leitura do caderno que
contém o nosso Estatuto Social. Lá está claro no art. 84 que: O cargo de
Presidente da Diretoria será ocupado por membro do Conselho Deliberativo,
eleito na forma deste Estatuto, SENDO VEDADA MAIS DE UMA REELEIÇÃO.
O texto prossegue citando exceção que não vem ao caso por
tratar de vacância por morte.
É saudável e bom o princípio da ALTERNÂNCIA NO PODER. É
sábio o nosso Estatuto Social ao promove-la. Promovendo-a, impede a permanência
por mais de dois mandatos consecutivos.
Não atentem a argumentos de que nas Disposições
Transitórias, escavando muito, garimpando e, fechando os olhos para o que vem
antes e está claro, advogados encontram argumentos meramente jurídicos para
sustentar algo que aos seres humanos comuns, é incompreensível.
CONSELHEIRO, seja você mesmo, seja autêntico.
Não se deixe levar por prováveis futuros fornecedores de
serviços advocatícios, portanto, possivelmente, interessados em demandas.
Não seja incauto.
Não dê inexplicável obediência, seja por ingenuidade, por
interesses em cargos ou, pela confortável proximidade do poder.
Quem ama, resigna-se. Mostre-se servidor do SPFC e não de
pessoais interesses.
Só você pode impedir o GOLPE. Um duro golpe na dignidade do
clube que amamos.
Não faça parte dos que diminuem o nosso Egrégio Conselho
Deliberativo, acreditando inexistir nomes à altura para uma regular
sucessão."
De Carlos Miguel C. Aidar
"Na condição de ex-presidente do São Paulo Futebol
Clube, Conselheiro Vitalício e subscritor da proposta de alteração estatutária
que dispõe sobre a possibilidade de participação dos atuais presidentes da
Diretoria e do Conselho Deliberativo no pleito que deverá ocorrer no próximo
mês de abril, não posso me quedar silente pelo quanto indevidamente exposto no
texto "Carta Aberta aos Conselheiros do SPFC" assinada por Luiz
Antonio da Cunha e publicada no site "Arquibancada Tricolor"*
Confesso estranheza diante da iniciativa do Luiz Antonio da
Cunha em tornar pública uma manifestação de cunho subjetivo e, em algumas passagens,
de teor inadequado e desrespeitoso.
Primeiramente, porque o Luiz Antonio da Cunha ocupou funções
de diretoria na atual gestão, tendo sido Diretor Adjunto de futebol amador e
profissional, preferindo partir diretamente para manifestações públicas, utilizando-se
dos ambientes livres das redes sociais.
Agindo assim, o Luiz Antonio mostra desconhecimento sobre um
princípio basilar das tradições do São Paulo Futebol Clube. No Clube, nossas
divergências são tratadas internamente, as discussões não são levadas a público
e, quando inevitável, nos referimos uns aos outros de forma respeitosa e
elegante, por assim entendermos resguardar a imagem da própria Instituição.
No mérito de suas colocações, Luiz Antonio Cunha pretendeu
reduzir a importância da tese jurídica que suporta a proposta de alteração
estatutária a um patamar menor. Como advogado militante e ex-presidente da
OAB/SP, refuto enfaticamente essa tentativa de criar um ambiente no qual as
teses jurídicas teriam uma importância relativizada naquilo que ele pretendeu
chamar de mundo "dos seres humanos normais".
O Direito, o bom Direito, faz parte e, inclusive, é pilastra
fundamental no âmbito das garantias fundamentais do Homem e da Sociedade. A
Ciência do Direito, como uma das fontes da expressão do conhecimento humano,
não pode ser tratada como mais ou menos importante conforme o humor daqueles
que por ela acabam vendo seus eventuais interesses contrariados.
O que há, no caso, é uma tese jurídica fundamentada que está
sendo submetida ao poder competente, como, no caso, é o Conselho Deliberativo
do SPFC, que, como tal, será incumbido de decidir pela interpretação que
efetivamente se pretendeu dar ao teor do texto do Estatuto Social. Essa é a
forma de deliberação do SPFC, por meio do voto, o mais democrático dos
instrumentos disponíveis no mundo.
Pela manifestação dos seus representantes, os conselheiros
do Clube, os associados do SPFC vão se pronunciar sobre o tema e caberá aos
concordantes e discordantes se submeterem à sua deliberação, pois assim
funciona o instrumento democrático que regula as relações internas do SPFC
desde sempre.
A par do teor desrespeitoso acerca da tese jurídica cujo
provimento será deliberado pela vontade soberana dos conselheiros do SPFC, as
insinuações sobre seus fundamentos e motivações, por sobejamente
desrespeitosas, descabidas, impertinentes e não condizentes com a fidalguia
são-paulina, não merecerão de minha parte maiores comentários. Lamento, apenas.
Igualmente, a manifestação de Luiz Cunha, ao pretender
configurar como de "excepcional ineditismo" a possibilidade de um
presidente do SPFC permanecer no cargo por mais de dois mandatos, poderá levar
seus "leitores" a um erro histórico essencial, até porque:
* Frederico Antônio Germano Menzen ocupou a Presidência do
SPFC por 3 mandatos, entre 1936 e 1938;
* Cícero Pompeu de Toledo ocupou a Presidência do SPFC por 6
mandatos, entre 1948 e 1958;
* Laudo Natél ocupou a Presidência do SPFC por 7 mandatos,
entre 1960 e 1971;
* e meu Pai, Henri Aidar, ocupou a Presidência do SPFC por 3
mandatos, entre 1971 e 1978.
Sempre, nesses casos, os poderes do SPFC entenderam pela
manutenção do Presidente, e assim o fizeram porque havia missões a serem
concluídas em favor do Clube, missões que os responsáveis de então entenderam
deveriam ser conduzidas pelos líderes que ali estavam. Foi assim que, durante
os 12 anos na Presidência, somados ao período em que presidiu a Comissão de
Obras, o Governador Laudo Natel liderou o SPFC na épica construção do Estádio
do Morumbi.
A mesma situação que, no entender dos grupos políticos que
ora manifestam seus apelos pela eleição de Juvenal Juvêncio, se verifica neste
momento, no qual estão sendo concluídas as reformas no Centro de Formação de
Atletas de Cotia e as adequações no Estádio do Morumbi que, conforme as sábias
palavras do Governador Laudo Natel, farão nascer "um novo Morumbi dentro
do Morumbi".
Por fim, tendo sido expostas as razões acima, clamo sejam tratadas
pelos poderes internos do Clube as questões internas, resolvendo-se
democraticamente as divergências, como assim o será, quando, no próximo dia 15
de fevereiro, falarão, votando, os ilustres Conselheiros do SPFC, fazendo
escrever, assim, mais uma página gloriosa da História do Clube."
Correção
Quando Luiz Cunha disse em entrevista ao LANCENET! que o
site tinha 10 acessos por dia, não falava do Arquibancada Tricolor, mas sim
sobre o Nem a pau Juvenal. Queria dizer que os são-paulinos, até aquele momento,
não estavam se importando muito com a situação.
Répica de Luiz Antonio da Cunha
"Caro:
Carlos Miguel C. Aidar
e Jornalistas: Marcelo Braga, Gabriel Saraceni e Marcelo
Damato:
Quero iniciar reparando que minha citação na reportagem do
extraordinário diário esportivo Lance, não se refere ao fórum de discussões
Arquibancada Tricolor. Foi citado como tendo 10 acessos por dia, o site do
abaixo assinado. Isto, penso que por absoluta ausência de divulgação, até
aquela reportagem.
Deixo claro que o teor contrário a alguma coisa no
manifesto, não é do meu gosto. Minha luta é a favor, é pró SPFC, é pró respeito
ao texto do Estatuto Social e pró cumprimento das expectativas na sucessão do
nosso atual Presidente.
Como não sou Conselheiro, estou impedido de postular.
Portanto, não aventemos causa própria. A partir daí, quero aqui, compartilhar
do sentimento que imagino de frustração, dos companheiros que aspiravam e se
preparavam para disputar a sucessão.
Continuo, dizendo que também eu, estranho-me nesta posição
em que o Sr. me estranha.
No ambiente das redes sociais, forjou-se por muitos
internáutas (eu incluso), movimento popular de apoio ao grupo político interno
que retornou ao poder maior do nosso SPFC em 2002, depois de muitas lutas
inglórias, das quais sempre fiz parte desde que me associei em 1974. Sempre do
mesmo lado.
Não terminou a união de jovens internáutas, naquele intento
alcançado pois do ambiente virtual, passamos ao real. Resolvemos que todos
aqueles que ainda não eram associados do SPFC, passassem a ser e assim,
participassem da vida social, angariando conhecimentos que nos levassem a obter
cadeiras no Egrégio Conselho Deliberativo.
Não me referi, caro ex Presidente, em minha Carta Aberta aos
Conselheiros, a nenhuma pessoa. Até porque porque não tenho um alvo pessoal. Se
alvo pessoal tenho, é do bem querer, do apoio, da ajuda e de colaboração. E
espelha-se no profundo respeito e admiração que sabidamente nutro, pelo Dr. Juvenal
Juvêncio.
Minha impessoal e apolitica luta é pelo que entendo,
preservar a Instituição de algo que um dia, possa Ela, por seus adeptos, se
envergonhar.
Defendo com o idealismo e com o que tenho em mãos, a clara e
lógica leitura de leigo, do Estatuto Social. Leitura aliás, que se coaduna com
o entendimento que todos sempre tivemos, ressaltado nas conversas dos
corredores do morumbi e nas reuniões amistosas, em preocupações sobre qual
dentre nós, receberia do Juvenal a bandeira sucessória em 2011.
Surpreendentemente, às portas da sucessão, dizem ser outro,
o entendimento.
Discordo. E não me posso calar.
Leio hoje na Folha de SP, pelo que pude depreender, que meu
entendimento é corroborado pelo renomado e apreciado jurista Ives Gandra
Martins. Imagino que isto também ao Sr, indique que há amparo, dentro da
Ciência do Direito, ao meu entendimento. Pretendo apoiar-me nisto, se
necessário for, futuramente.
E de ante mão, peço desculpas ao Sr. e a quem possa ter se
incomodado pelo eu disse e que o Sr. reputa "desrespeitosas, descabidas,
impertinentes e não condizentes com a fidalguia são-paulina".
Não tive tais intenções. Estudante de direito que fui na
juventude, jamais ofenderia conscientemente a nobre ciência que proporciona ao
Homem, fazer justiça.
Sem dispor de conhecimento do que rezava o Estatuto Social
da época em que os nobilíssimos ex presidentes que o Sr. citou nos presidiram,
imagino que não havia nada sequer parecido com o que reza atualmente – herdado,
o princípio contido, de Estatutos anteriores – o art. 84, citado e destacado em
minha Carta Aberta aos Conselheiros do SPFC.
Todavia não posso deixar, nesta resposta à sua mensagem, de
declarar minhas maiores homenagens a esses Homens que nos legaram o
extraordinário e portentoso clube que amamos e do qual muito me orgulho,
pertencer.
Entendo também, que por obra e benção dos seus "Guias
Brasileiros", o SPFC cresceu muito. O nosso carro chefe, razão da nossa
fundação e também da refundação, o futebol profissional, profissionalizou-se
extremamente. Entendo que devemos profissionalizar também, a direção do
futebol. E estender aos torcedores, o direito de lhe dar rumos.
Nosso time não é mais mantido (financeiramente), pelos
associados e pelas rendas de bilheteria, como outrora foi.
Trabalhos extraordinários de novas áreas, como a do
marketing, somadas às gloriosas conquistas, fizeram com que os muros da sede
social fossem ultrapassados. Receitas vêem dos mais diversos lugares, sempre
proporcionadas pelos fans, pelos torcedores. Penso que estas pessoas precisam
ser ouvidas. Daí movimentar-me nas redes sociais posto que, antes da minha Carta
Aberta aos Conselheiros, soube que mais de 180 haviam aderido à tese que não se
vê expressa, em nenhum lugar, no Estatuto Social.
Certa vez, caro ex Presidente Carlos Miguel, estivemos
juntos numa mesa em festividade de casamento. Juntamente conosco, um dos nossos
atuais vice presidentes, o caro Dr. Ricardo Haddad. Na ocasião, respondi a
pergunta sua, dizendo que uma das razões de não ser eu, Conselheiro, mesmo
tendo tanto de tempo de clube e afinidade com aos nossos companheiros de luta
na política interna, era a de preferir abrir mão de fazer parte das nossas
chapas de candidatos, cedendo o lugar que me ofereciam, a outros companheiros
que disto faziam absoluta questão. Muitos destes ameaçavam-nos que, se não
constassem da nossa relação, poderiam buscar vaga na chapa contraria, levando
os votos que diziam ter.
Lembro-me bem disto, por ter sido aquela ocasião, marcante
para mim. Justamente por ter estado próximo e ter conversado pessoalmente,
consigo.
Desta forma procedi quando chamado pelo Dr. Juvenal Juvêncio
a compor a nossa chapa na última Assembléia Geral. Imagino que seria eleito,
tendo o forte apoio do nosso nobre e reconhecido, líder político.
Pedi a Ele que cedesse não só o meu lugar, mas se possível,
outros dois, para jovens componentes daquele citado Grupo de internáutas que
passaram a associados, o qual eu ajudara a fundar. Para estes jovens, esperava
obter vagas na chapa, além de empreender esforços para eleger três deles.
Conseguimos duas cadeiras e uma suplência para moços que creio firmemente,
ainda nos servirão muito, e bem. Todos são idealistas, atuantes e, parentes na
descendência, de grandes companheiros nossos.
Assim me posto dentro do SPFC, com resignação. Nada para
mim, tudo para o SPFC cujo êxito futebolístico tem tudo a ver com o meu humor e
com a minha produtividade profissional, no dia seguinte aos nossos jogos.
Coloco a Instituição acima das pessoas. Luto por causas e
pelas calças. Isto, reservo-me esperar também, dos companheiros.
Este mesmo Grupo de jovens, lembre-se ex Presidente, em
evento no qual muito nos honrou a sua presença, lançou a candidatura do Dr.
Juvêncio à sucessão do saudoso e de tantas boas lembranças, Marcelo Portugal
Gouvêa. Na ocasião, recebi delegação de discursar, pedindo ao Juvenal que
aceitasse a candidatura.
Veja por isto, Caríssimo, o quão estranho me sinto, distante
dos companheiros e até antagonicamente colocado.
Não fosse pelas novas amizades virtuais, me sentiria ainda
mais solitário do que me sinto.
Não encerro sem enviar-lhe meu respeito e reiterado pedido
de desculpas se o incomodei de alguma outra forma que não a de termos hoje,
diferentes entendimentos. Espero fortemente que mesmo assim, ainda estejamos
futuramente, para minha alegria e honra, do mesmo lado.
Luiz Antonio da Cunha
Sócio no. 887
Ex Diretor Adjunto do Futebol de Base
Ex Diretor Adjunto do Futebol Profissional"









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