Reprodução: Portal 2014
"Portais da transparência" de TCU e CGU têm
informações defasadas e não justificam atrasos das obras
Rafael Massimino
Criados no ano passado para divulgar os gastos federais com
as obras da Copa de 2014, os chamados “portais da transparência” trazem
informações desatualizadas e não justificam os atrasos nos projetos para o
Mundial. São duas ferramentas que pretendem fiscalizar as obras da Copa, uma do
Tribunal de Contas da União (TCU) e outra da Controladoria Geral da União
(CGU).
No site do TCU, por exemplo, o Morumbi ainda é apontado como
palco de São Paulo no Mundial. O estádio, porém, foi descartado em junho
passado pelo Comitê Organizador Local (COL) da Copa.
“Quando perguntaram para o Orlando Silva [ministro do
Esporte] porque ainda consta o Morumbi, ele disse que a Fifa tinha excluído o
estádio, mas não havia definido outro”, diz Marcelo Eira, secretário-adjunto de
Planejamento do TCU e encarregado da atualização do site.
O portal da CGU, atualizado recentemente, diz que a arena
paulista está “em fase de definição”. No entanto, ainda apresenta o cronograma
e o orçamento do Morumbi.
Descontrole: estádios e mobilidade urbana
Segundo os órgãos, o objetivo da criação dos portais é
evitar o descontrole orçamentário do Pan-2007, quando o governo federal teve
que abrir os cofres de última hora para garantir a realização do evento.
Para isso, foi assinado em janeiro de 2010 um documento
especificando os gastos do governo federal, estados e cidades-sede. Publicada
no site do Ministério do Esporte, a chamada Matriz de Responsabilidade lista
orçamentos e cronogramas das obras da Copa, mas vem sendo descumprida.
O Morumbi é apenas um exemplo das defasagens. Na matriz,
constam 27 obras de mobilidade urbana que deveriam ter começado em 2010, mas
ainda estão no papel. Os sites da CGU e do TCU reproduzem as informações
desatualizadas sem justificar o atraso dos projetos.
O secretário do TCU diz que o governo está negociando novos
prazos com as sedes, mas os acordos ainda não foram oficializados pelo
Ministério do Esporte. “Não há como colocar no site uma matriz que não seja
oficial. Só entra o que tem o carimbo do Ministério do Esporte”, diz Eira.
Outro motivo citado pelo TCU para a desatualização é que a
maior parte das obras serão executadas pelos governos estaduais. Com isso, a
responsabilidade da fiscalização recai sobre os Tribunais de Contas Estaduais
(TCEs) que, de acordo com o diretor, não vêm cumprindo seu papel.
“Quem acompanha as obras dos estádios e de mobilidade urbana
são os TCEs, mas são poucos os que estão fiscalizando. Na verdade, nem sabemos
se estão fiscalizando ou não, porque não nos enviam as informações”, diz Eira.
A CGU também afirma que a atualização do portal “Copa 2014 –
Transparência em 1º Lugar” depende de outros órgãos, entre eles os Ministérios
do Esporte, Turismo, Cidades, Transportes e Justiça. A controladoria tem a
função de reunir e publicar as informações.
“Para tornar a atualização mais dinâmica, está prevista a
construção de um sistema que irá permitir que o próprio órgão responsável pelas
informações envie os dados de forma automatizada para a CGU. Hoje o envio é
feito de forma manual”, diz o órgão.








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