Reprodução: Portal 2014
Rafael Massimino
A meio caminho de 2014, capital paulista ainda tropeça na
construção de arena
Há exatos 40 meses a Fifa anunciava o Brasil, candidato
único, como sede da Copa do Mundo de 2014. Hoje faltam exatos 39 meses para o
pontapé inicial do maior evento esportivo do planeta.
Com o país no meio do caminho para o Mundial, um balanço das
obras dos estádios (ou falta delas) realizado pela equipe do Portal 2014 mostra
que São Paulo, cidade indicada para a abertura, figura, no momento, como a sede
mais atrasada entre as doze que receberão o evento.
Até a manhã desta quarta-feira (2/3), Natal ocupava o posto
que agora pertence à capital paulista. Mas a empresa OAS apresentou proposta
financeira para a construção do Estádio das Dunas, afastando, por hora, a
primeira exclusão do Mundial. Se não houver questionamentos jurídicos, o
contrato pode ser assinado em 4 de abril.
Já em São Paulo, o imbróglio envolvendo a Arena Corinthians,
em Itaquera, continua. Apesar de o estádio ter sido oficializado ontem (1/3)
pela Fifa e de a prefeitura paulistana ter anunciado incentivos fiscais para a
obra, pendências burocráticas e indefinições do clube e da construtora
Odebrecht continuam barrando o início da terraplenagem (marcado para 1º de
abril). Além disso, análise do Comitê Organizador Local (COL) apontou inúmeros
problemas no projeto básico da arena corintiana. Mesmo com pressões da Fifa,
São Paulo já desistiu de sediar a Copa das Confederações.
Praticamente garantido como palco da final, o Maracanã, no
Rio de Janeiro, mesmo em obras, sofreu contratempos em fevereiro que também
podem atrasar a reforma. O Tribunal de Contas da União encontrou
irregularidades na licitação do estádio, e comparou o orçamento de R$ 705
milhões, o mais caro da Copa, com uma “peça de ficção”. As constatações do
tribunal levaram a diretoria do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social) a afirmar que o empréstimo, que cobriria 57% da obra, pode
ser negado pelo comitê de crédito do banco. Com isso, os dois principais
centros econômicos do país podem estar fora da Copa das Confederações.
Além de São Paulo e Natal, mais duas sedes enfrentam pendências
para começar as obras dos estádios. Em Fortaleza, depois de processo
licitatório que levou quase um ano, a reforma do Castelão deve começar no final
deste mês de março. O governo do Ceará afirma que o cronograma foi acertado com
os técnicos do COL, mas ainda aguarda que a prefeitura da capital finalize a
reforma do estádio Presidente Vargas, que substituirá o Castelão até a Copa. As
obras deveriam ter sido entregues em dezembro.
Em Curitiba, o Atlético-PR assinou acordo em setembro
passado com prefeitura e governo estadual para a ampliação da Arena da Baixada,
encerrando impasse que se arrastava há mais de um ano. O início das obras, no
entanto, foi adiado diversas vezes. O último prazo anunciado pelo clube é
junho, mas não há empresa contratada.
Uma das primeiras cidades a começar a construção do seu
estádio da Copa, Cuiabá sofreu revés em novembro. O Tribunal de Contas do
Estado do Mato Grosso (TCE-MT) encontrou indícios de irregularidades na
concorrência da Arena Pantanal e suspendeu o repasse para as obras. Segundo o
órgão, o contrato estipula um cronograma irreal para o empreendimento. Mesmo
com o corte nos pagamentos, o consórcio Santa Bárbara-Mendes Júnior continua
tocando as obras (atualmente na fase de fundações), já que os pagamentos são feitos
por etapa cumprida.
Das arenas privadas, o Beira-Rio, em Porto Alegre, já está
em obras, mas vem sofrendo pressões da Fifa e do Ministério do Esporte para
contratar uma empreiteira que toque o projeto. Isso elevaria o custo da reforma
de R$ 155 milhões para até R$ 270 milhões, e poderia implicar em divisão das
receitas do novo estádio entre o Internacional e a construtora.
Em estágio mais avançado, Brasília, Manaus, Recife e
Salvador seguem para obras de fundação. Na capital federal, no entanto, o Ministério
Público do Distrito Federal (MPDF) suspendeu repasses da estatal Terracap para
a construção. Em Manaus, foi apontado sobrepreço na Arena Amazônia.
Já Recife enfrentou problemas no ano passado para receber as
licenças. No entanto, a maior ameaça para o estádio pernambucano é a
ociosidade. Sport, Santa Cruz e Náutico não fecharam acordo para jogar na nova
arena.
Belo Horizonte teve licitação cancelada pela Justiça para a
fiscalização das obras do Mineirão, mas a reforma do estádio segue em ritmo normal.
Colaboraram: Alexandre de Santi, Caroline Aguiar, Gabriela
Ribeiro, George Fernandes, Igor Costoli, Jackeline Farah, Julio Cesar Lima,
Karlo Dias, Lucio Pontes Filho, Thompson Neto e Vanessa Cristani








Um comentário:
enquanto isso, pelo que li na imprensa, 35% da reforma do morumbi, que o colocaria em condições para sediar jogos da copa, já está pronta. isso tudo sem dinheiro público, em região nobre, bem servida de hospitais e com plano de investimentos do governo no entorno...
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