Reprodução: Folha.com
Bernardo Itri
Paulo Vinicius Coelho
Racha: Por contrato, verba de TV fechada e internet vai para
fundo
Dez clubes já firmaram acordo com a Globo pelos direitos dos
Brasileiros de 2012 a 2015. Outros oito estão em negociação. E todos doarão
integralmente a cota de TV por assinatura e a de internet para fundo a ser
gerido em conjunto por Globo e CBF.
O valor desse fundo chega a R$ 110 milhões: R$ 80 milhões
referem-se aos contratos de transmissão em TV fechada e R$ 30 milhões aos de
direitos de internet, segundo acordos já firmados aos quais a Folha teve acesso
e projeções dos que ainda são negociados. No total, cerca de 11% de todos os
contratos.
A quantia vai para o Fundo de Custeio, que já existia quando
os direitos eram negociados pelo combalido Clube dos 13. "Definíamos o
valor em assembleia, e não estava vinculado a uma cota específica", afirma
Ataíde Gil Guerreiro, diretor do C13.
O Fundo de Custeio é reservado para viagens e hospedagens
dos clubes que participarão da Série A. Em 2011, serão R$ 65 milhões -R$ 20
milhões para passagens e estadias e R$ 45 milhões para o pagamento de direitos
a clubes não filiados.
Globo e CBF passam a gerir esse fundo com anuência dos
rebeldes do C13. "Não tenho conhecimento disso, mas digo que a CBF administra
o campeonato em seu aspecto técnico, não econômico. Se os clubes deram a
administração do fundo à CBF, foi por indicação, não por imposição", diz
Rodrigo Paiva, diretor de comunicação da CBF.
Nas principais ligas do mundo, são os clubes que administram
o dinheiro. A passagem da gestão do C13 para CBF e Globo ocorre em razão do
racha com a entidade presidida por Fábio Koff. Mas há clubes que desconhecem a
profundidade da situação.
"Isso já acontecia antes, não?", indaga o
presidente do Palmeiras, Arnaldo Tirone. Ao tomar conhecimento de que a
diferença está em quem administra e no fato de todo o dinheiro de TV fechada e
internet estar comprometido, responde: "Não estou vendo problema
nisso".
Além de os clubes renunciarem à gestão de seu próprio dinheiro,
a quantia diminui. Na licitação do C13, o valor mínimo para a compra dos
direitos de TV fechada era de R$ 100 milhões. Especula-se de que os direitos de
internet, mídia com maior potencial de crescimento, sairia por valor
semelhante.
De acordo com os contratos aos quais a Folha teve acesso,
tanto o dinheiro de TV por assinatura como o referente à internet nem entrarão
no caixa dos clubes. Tudo irá direto para o fundo.
O contrato também diz que eventuais sobras, ao final da
temporada, serão destinadas à "premiação" dos times.
Procurada, a Globo disse que não se pronunciará enquanto não
concluir as negociações com todos os clubes.








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