Reprodução: Coluna do Juca Kfouri, Folha.com
Por que nossos comitês da Copa e da Olimpíada são tão
distintos dos deles, os europeus?
Perguntas que você precisa fazer para você mesmo para não
perder a capacidade de se indignar, por mais que sejam repetitivas, e as
respostas, insatisfatórias, escandalosas mesmo.
Por que o presidente do Comitê Organizador de Londres-2012 é
Sebastian Coe, dos maiores atletas da história da Inglaterra, e, aqui, é Carlos
Nuzman, que também preside o Comitê Olímpico Brasileiro, algo inédito na
história olímpica, o mesmo cartola comandar os dois órgãos?
Por que, aqui, o presidente do Comitê Organizador Local da
Copa do Mundo é Ricardo Teixeira, o presidente também da CBF, se na França o
presidente foi Michel Platini, que não era o presidente da FFF, a Federação
Francesa de Futebol?
Por que, aqui, o presidente do COL é quem é, se na Alemanha
foi Franz Beckenbauer, que também não era o presidente da federação local?
Por que o conjunto aquático Maria Lenk não será aproveitado
para as provas de natação na Olimpíada-2016, se, quando construído para o
Pan-2007, foi apresentado como trunfo para a candidatura do Rio de Janeiro?
Por que o Morumbi, há 50 anos servindo o futebol mundial,
palco de jogos das eliminatórias de diversas Copas do Mundo, de várias decisões
da Libertadores, do Mundial de Clubes da Fifa, não serve para a Copa-2014, um
evento que dura um mês, com, no máximo, seis jogos por estádio?
Por que não há, nos dois comitês nacionais, nenhum,
rigorosamente nenhum brasileiro que o país admire, alguém que tenha fé pública,
credibilidade tal que ninguém o imagine fazendo coisas erradas com dinheiro
público? Nenhum!
Por que a OAB não tem um representante? A ABI? As centrais
sindicais? O IAB? A UNE, o Corpo de Bombeiros, o raio que os parta?!
Cadê os Ermírio de Moraes, os Gerdau, os Moreira Salles? O
capital e o trabalho? Cadê?
E note que não se reclama aqui da ausência de ninguém dos
poderes Legislativo e Judiciário, embora seja um absurdo que não haja, também,
ninguém do Executivo, noves fora Henrique Meirelles, a APO, Autoridade Pública
Olímpica, mas que, lembremos, é indicação do governo federal, não faz parte do
comitê organizador da Olimpíada.
Está mais do que na hora de não engolir tanto escárnio,
porque quem pagará a conta de um novo estádio em São Paulo, de novos
equipamentos no Rio, de tudo, é você, sou eu, somos nós.








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