Reprodução: UOL
Gustavo Franceschini
O fenômeno não é atual, mas ganhou ainda mais espaço nas
últimas semanas. Com as recentes parcerias do São Paulo, último a aderir à
prática, os uniformes dos grandes clubes paulistas se transformaram em
verdadeiros macacões de Fórmula 1, recheados de patrocinadores em todos os
locais. Se a o dinheiro levantado compensa, a poluição faz o torcedor
lembrar-se da época em que as camisas eram limpas.
O primeiro clube a assumir a camisa concorrida foi o
Corinthians. Desde 2009, quando contrataram Ronaldo, os dirigentes alvinegros
sabem que precisam vender espaço em um de seus bens mais preciosos para manter
a saúde financeira.
O resultado é que peito, costas, manga, barriga, calção e
até a axila dos jogadores têm uma marca em evidência. A prática, que já foi
criticada pelos rivais, hoje é quase praxe.
Além dos patrocinadores tradicionais, os clubes ainda contam
com parceiros pontuais em jogos de maior visibilidade, como um clássico. O
Santos já negocia mais de duas propriedades em sua camisa desde o ano passado,
e no último clássico contra o Palmeiras estampou a marca “Fisk” em seu calção.
O clube do Palestra Itália foi pelo mesmo caminho. No
clássico em questão, pelo Campeonato Paulista, usou a marca “Recoma” na barra
de sua camisa.
Até o São Paulo usou o expediente que sempre rejeitou. Na
apresentação de Luis Fabiano, exibiu um uniforme com quatro marcas: duas no
peito e duas na manga.
“Não tem como você abrir mão de uma receita expressiva como
hoje é o patrocínio no Brasil. O mercado não está maduro para a gente ter
receitas de outros lugares a ponto do patrocínio não ser a segunda mais
relevante, atrás só do direito de TV. Tem de ter receitas de outros tipos para
a camisa poder ficar sem nada”, disse Armênio Neto, gerente de marketing do
Santos.
O São Paulo nega que esteja sujando sua camisa. O clube
argumenta que os acordos pontuais viabilizam bons negócios, como Luis Fabiano,
e que isso não se reflete na venda dos produtos.
A camisa do clube nas lojas, de fato, é diferente daquela
que entra em campo. As diretorias optaram por manter apenas os parceiros no
peito e nas mangas do uniforme que pode ser comprado pelo torcedor, que já
estaria acostumado com esse tipode propaganda.
“Quanto mais limpa a camisa é, mais ela é aceita pela
torcida. E a torcida já está acostumada com peito, costas e manga. Se for
menos, é melhor ainda. Mas com esses não há problema”, disse Tullio Formicola
Filho, diretor da Vulcabrás, que detém as marcas Reebok e Olympikus.
O patrocínio às camisas no Brasil só existe desde a década
de 1980. Desde então, os clubes vêm se adaptando à nova fonte de receita e a
turbinaram com o crescimento do marketing esportivo. Para Paulo Gini, co-autor
do livro “A História das Camisas dos 12 Maiores Times do Brasil”, da editora
Panda Books, o torcedor sente a diferença.
“Eu, como coleciono camisas, sempre quero aquela que tem um
detalhe único, que ninguém tem. Mas é claro que para o torcedor, e até para mim
mesmo como torcedor, é mais legal quando ela é mais pura”, disse Gini.
A dependência da poluição das camisas, porém, deveria ser
abandonada. Pelo menos é o que pensa Erich Beting, blogueiro do UOL e
especialista em marketing esportivo.
“Os dirigentes têm de entender que não é só a exposição que
conta. Que eles podem ganhar muito mais se valorizarem as camisas e ativarem
esses outros patrocínios com produtos, interação com o torcedor e ações
promocionais”, disse o jornalista.









Nenhum comentário:
Postar um comentário