Reprodução: Folha.com
Catia Seabra
Filipe Coutinho
2014/2016 Texto do governo cria mecanismos para acelerar
obras
O governo fechou o texto da proposta para flexibilizar as
licitações dos aeroportos da Copa-2014 e de todos os projetos da Olimpíada
Rio-2016, com brechas que permitem estouro do orçamento inicial e obras sem
licitação.
Na prática, o governo quer inverter a ordem de análise dos
projetos, no chamado "regime diferenciado de contratações". A ideia é
primeiro avaliar os preços e, depois, a documentação necessária. Assim, a
Infraero e a Autoridade Pública Olímpica poderão se concentrar só na proposta
com o melhor preço.
Segundo o texto, não serão feitas licitações quando
"for necessária a preservação da segurança da sociedade e do Estado".
O documento, porém, não dá detalhes de como isso deverá ser feito -prevendo só
justificativas de responsáveis pelo projeto.
Um dos artigos contraria a lei de licitações. Hoje, os
projetos que precisam ser alterados durante a obra podem custar até 50% acima
do valor inicial, sem a necessidade de uma nova licitação. Para a Olimpíada e
aeroportos da Copa, no entanto, não haverá qualquer limitação.
Esses casos serão permitidos, de acordo com o texto, quando
as entidades internacionais responsáveis por um determinado esporte pedirem
alterações nas obras, em comum acordo com o Comitê Olímpico Internacional.
Outro ponto permite que uma obra seja "parcelada"
para que mais de um serviço seja feito simultaneamente.
Há também a previsão, quando o governo achar conveniente, de
obras no modelo "porteira fechada". Ou seja, após o preço final ser
estabelecido, a construtora terá de arcar com os custos de qualquer alteração
na obra.
Em todos os casos, o modelo escolhido deverá ser
justificado, levando-se em conta a "eficiência" da licitação.
O texto já foi distribuído às lideranças partidárias e
passou por análises de TCU (Tribunal de Contas da União), Receita Federal e AGU
(Advocacia-Geral da União).
O governo avalia se o texto vai ser incorporado em uma
medida provisória que já tramita ou se será feita uma nova MP, o que precisaria
da assinatura da presidente Dilma Rousseff para ter validade.
A responsável por essa discussão é a deputada Jandira
Feghali (PC do B-RJ), aliada do ministro do Esporte, Orlando Silva, principal
nome do PC do B no governo Dilma.
Um dos pontos a ser definido é se é viável, devido ao prazo,
incluir a proposta numa MP em discussão na Câmara dos Deputados. Nesse caso,
entretanto, a oposição pode tentar obstruir a pauta para adiar a votação e
fazer com que a MP caduque.
Por outro lado, na hipótese de a presidente Dilma assinar
uma nova MP, a regra começa a valer imediatamente. Apesar disso, deverá passar
pelo crivo do Congresso.








Um comentário:
Institucionalização, sem pudores, da abertura das torneiras (tá mais pra mangueiras, daquelas de bombeiro) do dinheiro público.
Agora a farra acontece!
Postar um comentário