Gustavo Alves
Ex-superintendente
de futebol do clube diz ao R7 que espera se eleger em 2014
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| Imagem: Sergio Barzaghi/Gazeta Press |
Fora do futebol
desde janeiro deste ano, quando deixou oficialmente o cargo de superintendente
de futebol do São Paulo, Marco Aurélio Cunha tem data para voltar. O vereador,
corregedor da Câmara Municipal, disse, em entrevista ao R7, que vai se
candidatar à presidência do São Paulo em 2014.
Depois de 31 anos
como médico e dirigente em vários times, entre eles Bragantino, Verdy Kawazaki
[Japão], Coritiba, Figueirense, Santos e São Paulo, ele afirma que Rogério Ceni
precisará de 10 anos de "treinamento" antes de dirigir o Tricolor.
Mas considera o goleiro, capitão do time, seu substituto ideal na presidência.
Marco Aurélio
também explica a saída de Muricy Ramalho, em 2009. Fala que, se pudesse, teria
dado três meses de f para o treinador naquela época, em vez de demiti-lo.
Leia abaixo a
entrevista completa:
R7 - Como está sendo o período fora do futebol?
Marco Aurélio Cunha - Eu acho que estou naquela fase positiva,
construindo uma vida um pouco diferente, com mais tempo para a Câmara
Municipal, vivendo intensamente as questões políticas. Estou naquela fase que o
jogador que para acha ótimo. Ele pode dormir até um pouco mais tarde, não
treina, pode sair no fim de semana, tem o domingo. Eu não tinha domingo
seguidamente há mais de 30 anos. Agora estou aproveitando esse tempo, que é
muito gostoso. Daqui a pouco entra a fase de abstinência. Acho que estou maduro
para não passar por isso. Quando a gente sai tem que sair 100%.
R7 - Você ainda acompanha o futebol ou preferiu se afastar?
Marco Aurélio Cunha - Eu não tenho ido a muitos jogos, fui a um
ou dois até hoje, mas assisto todas as partidas pela TV. Estou sempre falando
com o Milton [Cruz, auxiliar técnico do São Paulo] e os meninos. Procuro ajudar
no sentido de dar força. Quando eu saí, entendi que não estava mais sendo
aproveitado, que minhas ideias não estavam sendo ouvidas. Talvez isso tenha
acontecido durante muito tempo. Se aconteceu até com o Muricy e ele saiu, quem
sou eu pra não sair. Eu defendia o Ricardo Gomes, mas as pessoas não entendiam
os valores dele. Está provado agora, não só pelas vitórias, mas pelo que ele
construiu no Vasco, que era um time mal colocado no carioca e conquistou a Copa
do Brasil. Muitas vezes minhas percepções são boas e elas não estavam mais
sendo atendidas. Então decidi sair numa boa, sem brigas, deixando só amigos,
agradecendo ao clube. Comecei uma vida diferente. Estou focado na Câmara e no
consultório médico enquanto preparo uma volta, que será em breve.
R7 - Quando você pretende voltar ao futebol?
Marco Aurélio Cunha - Ninguém me chamou para fazer parte dessa
diretoria, o que eu acho correto, já que faz pouco tempo que saí. Mas eu espero
ser candidato à presidência do São Paulo daqui a três anos. O projeto é esse.
Ainda tenho mais um ano e meio de mandato e pretendo fazer a reeleição. Se
chegar à presidência do São Paulo, há compatibilidade para eu encerrar esse
mandato de vereador como presidente. Estou muito consciente do que eu escolhi,
mas sinto muita falta dos torcedores do São Paulo, recebo mensagens toda hora
falando do meu tempo lá, dos jogadores também mas principalmente dos
funcionários do clube.
R7 - Não vai haver um conflito com o Rogério Ceni, que já disse que
pretende ser presidente do clube?
Marco Aurélio Cunha - O Rogério é meu amigo, e terá o tempo
dele. Eu estou com 57 anos, ele tem 38, quase 20 anos a menos. Ele precisa se
despir do jogador, precisa conhecer outras práticas. Jogar futebol e ser o
grande líder que ele é, é tudo. Mas para a função, não. Aí seria um erro.
Faltaria toda a formação que é o conhecimento da estrutura, da engrenagem
política, das categorias de base com são hoje, com contratos, relações entre
clubes. Isso demora uns 10 anos para ele absorver. Acho que ele seria meu eventual
substituto. Seria o melhor substituto que nós teríamos, sem tirar outros
grandes são-paulinos do clube, que também poderiam ser presidente. Mas acho que
o Rogério tem que passar por uma esfera profissional primeiro. Não vai jogar
fora tudo o que ele ganhou. Quando ele parar de jogar, tem muito conteúdo para
ser um dirigente executivo. Vai se formando, como eu me formei, percebendo
dificuldades e assumindo responsabilidades que não as do jogador. A maior
dificuldade acontece porque você dirige mas não pode interferir no jogo.
R7 - Você passou 31 anos no futebol. Quais as principais diferenças entre
o trabalho em um time pequeno e em um time grande?
Marco Aurélio Cunha - Em clube pequeno você é tudo. O bacana é
que depois de sair de forma dolorosa do São Paulo em 1990, fui ao Bragantino no
mês seguinte e achei um clube que não tinha nada. O Vanderlei [Luxemburgo]
estava começando a carreira ali, e nós fizemos tudo pelo Bragantino. Levamos um
time que não tinha nada a ser campeão paulista [em 1990] e vice nacional [em
1991], depois, com o Parreira. Vários jogadores daquele time chegaram à seleção
brasileira, como Gil Baiano, Mauro Silva, Mazinho, Silvio, e outros tiveram
destaque no cenário nacional. Ali começou um pouco da minha proposta de mudar
as coisas. O dirigente de futebol amador chega ao cargo pela vida empresarial,
vem de cima para baixo. Ele tem dinheiro, é que nem piloto de fórmula 1 que
paga para correr. No futebol tem muito disso. O sujeito é endinheirado e
conquista espaço por conta das facilidades que cria, mas não tem conhecimento.
Eu não, sou formado na base. Fiquei cinco anos na base do São Paulo, cresci
junto com a geração de Silas, Muller, dos “Menudos”. Quando vi a fragilidade
que era essa relação, no São Paulo, no Bragantino, no Guarani, eu vi o quanto o
futebol precisava de profissionalismo, de alguém que conhecesse o futebol e
pudesse indicar os caminhos.
R7 - Então no Bragantino você acompanhou o surgimento de dois grandes
técnicos brasileiros...
Marco Aurélio Cunha - O Vanderlei estava começando, mas o
Parreira já era um cara consagrado, que estava recomeçando a carreira. Ele
ficou muito tempo no mundo árabe, ficou rico mas um pouco defasado de futebol
brasileiro. Quando retornou [em 1991], precisava fazer algo diferente, precisava
pegar um time, mas ninguém tinha muita coragem de pegar o Parreira naquele
momento. O Nabi [Abi Chedid, ex-presidente do Bragantino] o levou depois da
saída do Luxemburgo. Ele pegou o time, que já estava montado, deu uma nova
concepção tática e deixou ainda mais competitivo. Tanto é que só perdeu a final
do Brasileiro de 1991 para o São Paulo do Telê [Santana], que era quase
imbatível. Hoje eu fico contente como são-paulino, mas naquele momento eu
queria muito ganhar com o Bragantino, até para me afirmar. Mas hoje vejo que a
partir dali o São Paulo foi à Libertadores, foi bicampeão em 1992 e 1993 e tudo
isso passava por aquela vitória, porque só o campeão ia à Libertadores.
R7 - No São Paulo você bancou dois treinadores, Muricy e Ricardo Gomes,
que saíram mal com a diretoria mas bem com a torcida. Por que isso aconteceu?
Marco Aurélio Cunha - O Ricardo talvez não tenha saído bem com
a torcida. Foi feito um trabalho de desmerecimento muito grande. A mídia fez
isso, a diretoria, de uma forma velada, permitiu, porque eles queriam mudar. O
Ricardo cumpriu seu contrato, esperava muito a Libertadores, que escapou dentro
do Morumbi. Isso tem um peso enorme. Algumas derrotas, como a do Celso Roth, no
Inter, para o Mazembe [no Mundial Interclubes de 2010] marcam os treinadores.
Aquela eliminação para o Inter [na semifinal da Libertadores de 2010] marcou o
Ricardo, mas era injusto. Você tem que projetar o clube para frente, e um
resultado pontual pode dar uma depressão momentânea que tem que ser tratada,
não abandonada. Eu defendi o Ricardo porque via nele muito conteúdo, como vi no
Muricy.
R7 - Porque o Muricy saiu do São Paulo?
Marco Aurélio Cunha - O Muricy foi aquele professor de inglês
que você teve durante três anos e meio e estava cansado dele, e ele cansado do
aluno. Não foi demérito nem demissão compulsória, por algum problema. Foi
fadiga do material. Se o futebol fosse uma empresa, como deveria ser, ele teria
três meses de férias, e aí sim faria a experiência com o Baresi [Sérgio Baresi,
treinador da base do São Paulo]. O Baresi ficaria três meses, enquanto o Muricy
tirava férias, ia assistir jogos na Europa, observar jogadores, respirar outros
ares. Depois de três meses ele voltaria para assumir o São Paulo. Você tira
aquela fadiga, aquela coisa do atleta com o treinador. Isso seria corretíssimo
no futebol. Se você confia no treinador, sabe que ele tem o perfil do clube,
que ele trabalha bem, tem um tricampeonato carregando o São Paulo muito bem,
tira ele do foco, respira e volta. Mas o futebol ainda não permite esse tipo de
gesto.
R7 - Você pretende colocar tudo isso em prática caso seja eleito
presidente do São Paulo?
Marco Aurélio Cunha - Eu acho que o futebol tem que ser feito
por profissionais. Os gerentes, diretores-executivos do futebol, têm que ser
ex-atletas bem formados para isso. Pegar um sujeito que tenha liderança,
conhecimento, uma vaidade controlada, para ser o diretor de futebol. Tem que
haver relação humana, acho que isso falta para o São Paulo hoje. Saber as
dificuldades de cada um, até sobre relação familiar. Se o jogador está saindo à
noite, por que isso está acontecendo? De repente ele está sozinho na cidade, ou
brigado com a mulher. Isso tudo influi diretamente no time. O sujeito é
demolido por problemas de família, por treinadores arrogantes, e o dirigente
fica assistindo a tudo isso de longe, pela televisão, achando que o time é que
vai jogar. Só que isso só acontece se o time estiver bem preparado.
R7 - Quais os principais problemas do São Paulo hoje?
Marco Aurélio Cunha - O São Paulo não é um clube modelo
universal. O clube tem falhas e tem grandes benefícios. O São Paulo já está
pronto, tem coisas que são muito superiores a outros clubes. Mas se você
conhece clube pequeno, vê a dificuldade que é pagar o ônibus, arrumar um hotel,
pagar salário, aí você aprende. Às vezes o São Paulo parece filho de rico.
Superficializa tudo porque ali tem todas as facilidades. E não se conhece a
engrenagem mais baixa, mais difícil.









11 comentários:
Só vai ter chances se o JJ largar o osso ...
Geraldo
Excelente reportagem.
Parabéns ao MAC por tudo que conquistou no SPFC e fora dele. Acredito que seria um excelente presidente para o clube. Legal o que ele falou de "férias" para o Muricy
Também achei lega essa idéia de "férias". Será que algum dia fecharemos a isso?
Eu vi esse mesmo MAC elogiando o Richarlyson, defendendo a sua permanência no SPFC, dizendo ser um grandejogador, quando na verdade nunca se viu o cara jogar bem, tanto que afundou o SPFC junto com o Dagoberto e o Muricy, e hoje é reserva no atlético mineiro. Isso aliado à essa idéia estúpida de dar 3 meses de férias ao Muricy ao invés de demiti-lo demonstra bem que tipo de presidente teríamos...
Quem entende de futebol sabe que o Muricy não é nenhum gênio, tanto que no SPFC ganhou 3 brasileiros mas perdeu 5 libertadores, 2 sulamericanas e 5 paulistas e mais um brasileiro pelo Palmeiras. O título no Fluminense e no Santos foi graças aos grandes elencos que lá ele encontrou. No SPFC não teve grande elenco graças ao próprio Muricy que mandou Borges embora, confiando em Washicone e Dagoberto, e ainda trocou AROUCA por RODRIGO SOUTO, ainda me vem o cara falar que ele não devia sair do SPFC, prá mim já foi tarde, o SPFC só não está melhor porque só colocou "experimentos" como ricardo gomes, baresi e prof. Pardal, assim fica fácil as viúvas do futebol retranqueiro e feio do Muricy sentirem saudades dele.
É Muricy!! É Muricy!! É Muricy!!
Fora Juvenal!!
Eu não queria concordar com o anonimo aí, mais talvês ele tenha razão.
Pois é Anônimo... se o Muricy eh tão ruim, e também Ricardo Gomes (Campeão da Copa do Brasil), Baresi e Carpegiani, quem que é o BÃO memo... me diz ai... vc que entende tudo de futebol?!
Um abraço!
Me lembro bem na época em que o Muricy foi embora, não era só dirigente que o queria fora do clube não, me lembro bem, quanto ao MAC presidente, hum não sei, votou no JJ né? Sei...
Anônimo, concordo com muitos pontos seus, porém que deu aval pra troca do Arouca pelo Souto foi o Ricardo Gomes, outro "INJUSTIÇADO" aqui.
Acho que esse negócio de 3 meses de férias patético e bem oportunista.
Paro por aqui e que cada um fique com o pensamento que acha certo, só que os fatos estão aí pra todos verem.
Helder
Respondendo ao Xandão:
Não entendo tudo de futebol, mas entendo que técnicos bons são o Luxemburgo e o felipão, que onde chegam conseguem organizar equipes e fazer a leitura durante o jogo e substituir no momento e na maneira correta, coisa que Muricy, Ricardo gomes, baresi e Carpegianni nunca fizeram. até o Cuca, se vc verificar todos as equipes que treinou, ficaram com ótimos ataques, pena que ele se enrola na hora de impor comando ao grupo, como já o faz o felipão. Finalizando, pesquise quantos campeonatos o Muricy perdeu ao invés de ficar olhando só os 5 que ele ganhou! Se ele fosse tão bom não teria saído do Fluminense em poucos meses...
O Arouca pode até ter saído enquanto o Ricardo Gomes estava no SPFC, mas o boicote ao seu futebol começou com o Muricy.
Pelo o que sei o problema do Araouca não era nem com o Muricy, nem com o Ricardo Gomes. Era com o JJ.
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