Reprodução: globoesporte.com
Marcelo Russio
Com cronograma adiantado e um plano agressivo contra o
déficit de leitos de hotel na cidade, a capital mineira sonha alto: quer a
Seleção Brasileira
Organização e seriedade. Com esse binômio, Belo Horizonte
espera conseguir cumprir todos os compromissos assumidos ao se tornar uma das
12 cidades sede da Copa do Mundo de 2014 e mostrar que pode receber o sonhado
jogo de abertura do Mundial. As melhorias e os investimentos na rede hoteleira
- principal dificuldade da capital mineira - e o desejo de abrigar a Seleção
Brasileira, ou ao menos Espanha, Portugal e Japão - países de origem de suas
principais colônias de estrangeiros - fazem com que a cidade esteja encarando
com extrema seriedade os prazos dados pela Fifa.
- Não estamos brincando de fazer Copa do Mundo. O Mundial é
uma oportunidade única de conseguirmos melhorias para a cidade e, também, de
colocarmos Belo Horizonte definitivamente na linha de frente entre as cidades
brasileiras com capacidade para realizar eventos, esportivos ou não, de
importância internacional - garante o Secretário Estadual Extraordinário para a
Copa do Mundo, Sérgio Barroso.
Contando com a entrega em tempo recorde, o Mineirão espera
estar pronto para sonhar com a abertura da Copa do Mundo. Nesta quarta-feira, o
GLOBOESPORTE.COM vai mostrar a situação de Belo Horizonte para o Mundial.
Confira abaixo como está o andamento das obras e a situação dos principais
setores da capital mineira para a realização da competição em 2014.
ESTÁDIO
ESTÁDIO
O Mineirão está sendo totalmente reformado para ter, em 21
de dezembro de 2012 - data limite para a entrega do estádio - a capacidade de
64,5 mil espectadores sentados, com seus lugares marcados e com 100% de
visibilidade do campo para os torcedores. Além disso, está sendo construída uma
esplanada ao redor do estádio para receber shows e eventos esportivos, com
capacidade de de 65 mil pessoas. Caso o estádio não seja entregue na data
estipulada pelas construtoras, haverá uma multa por dia de atraso. O custo
total das obras é de R$ 665,7 milhões, sendo R$ 654 milhões vindos de uma PPP
(Parceria Público-Privado). O restante dos recursos é proveniente do governo do
estado de Minas Gerais.
Atualmente, as obras no Mineirão estão em sua terceira
etapa. Na primeira, de 25 de janeiro a junho de 2010, foram feitos reparos
estruturais. Na segunda, de 26 de junho a 20 de dezembro de 2010, foram
demolidas parte da arquibancada inferior e da geral do estádio, e o campo foi
rebaixado em 3,4 metros.
Por ser uma das capitais verdes do Brasil, Belo Horizonte
incluiu no projeto do Mineirão para o Mundial de 2014 a existência de placas de
cobertura que captem energia solar e gerem energia elétrica com capacidade
suficiente pra atender 750 residências de porte médio. Isso garantirá que não
faltará energia no local durante a Copa do Mundo. O Mineirão ainda terá um
estacionamento novo, com 2000 vagas cobertas e 600 vagas descobertas, além de
um restaurante panorâmico, lounges, camarotes, lojas e um Museu do Futebol nos
moldes do que já existe no Pacaembu, em São Paulo.
O modelo de negócios do Novo Mineirão determina que as três
construtoras vencedoras da licitação para a reforma terão 25 anos para explorar
comercialmente o estádio. Será contratada uma empresa para gerir o negócio, e o
governo do estado fiscalizará e multará o consórcio em caso de ausência de
manutenção, lojas vazias por um longo período de tempo ou quaisquer outros
problemas, com o objetivo do estádio estar sempre em bom estado de conservação
e ser viável economicamente.
LEGADO PARA A CIDADE
O principal legado que os investimentos para a Copa do Mundo
de 2014 deixarão para Belo Horizonte será na área de transportes. A cidade
receberá três corredores de BRT (em inglês, "Bus Rapid Transit", ou
"Trânsito Rápido de Ônibus") que terão capacidade de conduzir 900 mil
passageiros por dia - contra 200 mil passageiros por dia do metrô. O
investimento total neste empreendimento será de R$ 1 bilhão, com entrega
prevista para 2013.
Além disso, a capital mineira receberá um novo Centro de
Comando e Controle da Polícia, ao custo de R$ 30 milhões. Na área cultural, a
cidade será agraciada com um projeto de internet banda larga nos seus
principais pontos turísticos, além da capacitação de estudantes em línguas
estrangeiras (inglês e espanhol) e de universitários para trabalhar como guias turísticos.
OBJETIVOS
Segundo Sérgio Barroso, o principal objetivo da cidade na
Copa do Mundo de 2014 é abrigar a Seleção Brasileira. No entanto, seleções como
Espanha, Portugal e Japão, países que possuem numerosas colônias na cidade, e
Alemanha e Itália são vistos como estratégicos pela capital mineira.
Um dos trunfos para atrair as seleções mais fortes é o
Estádio Independência, que embora não tenha sido confirmado como um dos COTs
(Centro Oficial de Treinamento), é um dos principais postulantes a receber este
status, por ter sua reforma bem adiantada, e ser um dos projetos mais modernos
entre os estádios de apoio do Brasil.
AEROPORTOS
O Aeroporto Internacional Tancredo Neves terá o Terminal 1
totalmente reformado, e receberá um terminal provisório para cargas e para
servir como conexão para passageiros que tenham como destino as demais cidades
do Sudeste e do Sul do Brasil. Há a previsão, ainda não confirmada, de se
construir o Terminal 2 para este aeroporto.
O custo total das obras no Terminal 1 é de R$ 400 milhões,
sendo 222,6 milhões já licitados para a ampliação da área de embarque e
desembarque. A segunda etapa, que consiste na ampliação da pista e do pátio
para os aviões, terá custo de R$ 170 milhões. Ao fim das obras, o Aeroporto
Internacional Tancredo Neves terá sua capacidade de passageiros aumentada dos
atuais cinco milhões por ano para oito milhões - um crescimento de
aproximadamente 60%.
Não há previsão de investimentos para o Aeroporto da
Pampulha, localizado na parte central da cidade, visando à Copa do Mundo de
2014.
HOTELARIA
Uma das principais críticas a Belo Horizonte é a sua rede
hoteleira, que estaria muito aquém do mínimo exigido pela Fifa para sediar uma
Copa do Mundo (21.500 leitos, que representa um terço da capacidade do
principal estádio da cidade). Contando com as cidades em um raio de 100km da
capital, no entanto, há 33 mil leitos disponíveis para quem for assistir aos
jogos do Mundial na capital mineira. Na área metropolitana da cidade há 22
hoteis em construção e mais 24 em processo final de autorização e obtenção dos
alvarás de funcionamento.
Segundo Sérgio Barroso, as redes hoteleiras que não
cumprirem os prazos determinados serão multadas e terão seus alvarás
cancelados. O investimento para o aumento da capacidade hoteleira da cidade em
9.105 leitos é de R$ 1,8 bilhão.
- Nosso objetivo é que os investimentos feitos na rede
hoteleira sejam sérios, e o Governo do Estado está fazendo sua parte através de
incentivos e isenções fiscais para possilitar a construção destes hoteis. Mas é
bom que fique claro que se não houver respeito aos prazos, as sanções serão
pesadas. Realmente, a cidade de Belo Horizonte tem um déficit de leitos, mas não
é nada ruim para um turista que venha para assistir aos jogos da Copa do Mundo
ficar em cidades belíssimas como Ouro Preto, que fica a apenas uma hora da
capital. Nos dias em que não houver jogos, será possível fazer turismo da mais
alta qualidade.
INVESTIMENTOS
De acordo com a Secretaria Estadual Extraordinária da Copa
do Mundo, Minas Gerais terá investimentos de R$ 4 bilhões para receber o evento
em 2014. A maior parte desse valor será investida pelo poder público, mas o
setor privado ainda poderá aumentar muito esse montante, notadamente no setor
hoteleiro. Os valores aproximados são os seguintes: Mineirão - R$ 665,7
milhões; Mobilidade urbana - R$ 1,023 bilhão; Aeroporto - R$ 400 milhões;
Hoteis - R$ 1,8 bilhão; Outros - R$ 20 milhões, que incluem planos de
capacitação, segurança, saúde, turismo e meio ambiente. A informação foi
confirmada pelo secretário Sérgio Barroso.









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