Reprodução: globoesporte.com
Cahê Mota
Comitê cogita até mesmo antecipar conclusão de obras do
estádio para competição em 2013, mas deixa evidente preocupação com aeroporto
Tranquilo e dentro do prazo. É desta forma que Manaus toca
as obras para construção da Arena da Amazônia, palco da única sede da região
Norte do Brasil na Copa do Mundo de 2014. Esta serenidade, porém, pode ser
trocada por um ritmo acelerado por um bom motivo: a Copa das Confederações. A
competição, que acontece um ano antes do Mundial, é o sonho de consumo dos
manauaras, que, para isso, já têm até mesmo um novo cronograma pronto.
A previsão inicial para conclusão das obras é de junho de
2013. Prazo que pode ser antecipado em seis meses caso a cidade receba uma
resposta positiva da Fifa na luta para receber a disputa entre as melhores
seleções de cada continente.
- O desafio é colocar Manaus na Copa das Confederações. E
isso será importante também para o gerenciamento dos nossos projetos. Estamos
aprendendo muito com a Copa e isso nos leva a fazer um trabalho cada vez mais
profissional. Vai ser uma grande vitrine para Manaus – disse Miguel Neto,
coordenador da Unidade Gestora do Projeto Copa (UGP Copa).
E nessa vitrine Manaus quer se expor como cidade do futuro,
pronta para receber grandes acontecimentos e investimentos, e não somente apta
a ser sede do Mundial. Para ter sucesso nessa missão, a capital do Amazonas já
tem um exemplo a ser seguido: Durban, na África do Sul.
Em visita recente ao país que recebeu a última Copa,
juntamente com representantes de todas as sedes, Miguel Neto ficou
impressionado com a evolução da cidade africana como um todo e a citou como
espelho.
- Fiquei muito surpreso positivamente com o que vi em
Durban. Dá para perceber que a cidade se empenhou não só em fazer um estádio,
mas em melhorar seus indicadores e galgar um novo patamar em termos de
visibilidade. Hoje, eles já são candidatos aos Jogos Olímpicos de 2020 e se preparam
para isso. É uma cidade que já se enxerga no mundo de outra forma.
Assim, seguindo os passos de Durban e sonhando com a Copa
das Confederações, Manaus conta as horas para o Mundial e para mostrar ao mundo
que a Amazônia pode ser atrativa não somente por sua já famosa floresta. Nesta
segunda-feira, a cidade dá o pontapé inicial na série do GLOBOESPORTE.COM que
vai mostrar a situação de cada sede para a Copa de 2014. Confira abaixo como
está o andamento das obras e a situação dos principais setores da capital
amazonense para a realização da competição.
ESTÁDIO
Orçada em R$ 534 milhões, entre obra e gerenciamento da
mesma, a Arena da Floresta está 18,8% concluída, de acordo com a Unidade
Gestora do Projeto Copa (UGP Copa). Garantindo nunca ter saído do verde no
‘semáforo’ criado pela Fifa para controlar a construção do estádio, o
coordenador da unidade, Miguel Neto, prevê terminar a construção em junho de
2013.
O prazo, no entanto, pode ser encurtado caso Manaus esteja
entre as sedes da Copa das Confederações, marcada exatamente para junho de
2013. Segundo Miguel, a obra já foi replanejada para uma eventual escolha, com
conclusão prevista para dezembro de 2012.
Com pouco mais de um ano de execução, as obras têm como próximo
passo a construção das arquibancadas inferiores. Etapa que deve evoluir
rapidamente por conta das condições meteorológicas.
- Chegamos ao estágio atual trabalhando no inverno, como
dizemos aqui. Temos apenas seis meses para trabalhar com obra por causa da
frequência de chuvas neste período. Agora, estamos começando o nosso verão e
tudo vai fluir em distância maior – explicou Miguel Neto.
LEGADO PARA A CIDADE
Potencializar Manaus como pólo turístico é o maior legado da
Copa do Mundo para cidade na opinião dos responsáveis pela UGP Copa. Ciente da
força local em virtude da floresta amazônica, a intenção é fazer uma integração
não somente com a parte urbanizada e central, como também com os chamados
“hotéis de selva”.
Como os jogos não acontecerão diariamente, haverá um
incentivo para ocupação desses hotéis, com os turistas se deslocando para
Manaus somente nos dias das partidas, usufruindo assim de outros atrativos da
região.
- Temos essa peculiaridade e temos que potencializar a
cidade como pólo turístico. Esse é nosso enfoque – revelou Miguel Neto,
coordenador da UGP Copa.
Outro ponto importante, esse para os próprios moradores, é a
questão da mobilidade urbana. O projeto prevê mudança completa da matriz de
transporte da cidade, com a criação de um anel viário que será alimentado por
linhas específicas de bairros. A obra, por sua vez, está atrasada, mas não é
algo que preocupe Miguel Neto.
- Já deveríamos estar em obras, mas não contamos com esse
sistema de mobilidade para a Copa, que vai ter algo específico. Sabemos que o
transporte coletivo vai ser utilizado pela cidade, não pelas delegações e
turistas. Estes usam seus ônibus e pacotes próprios. Temos um hábito de eventos
aqui ao lado (no sambódromo). Todos os anos reunimos cerca de 150 mil pessoas
em um dia no carnaval. E tudo acontece de forma ordeira e tranquila. Sem
dificuldades. O que ficar pronto para o projeto de mobilidade, ajuda, mas não
vai ser o que vai fazer o evento ter sucesso. Faremos um projeto de
deslocamento diferenciado.
Outra preocupação é evitar que o estádio se transforme em um
elefante branco. Diante do baixo rendimento do futebol local, competições não
compõem o calendário durante todo o ano. Entre os projetos estão: o
funcionamento de lojas após o Mundial, a realização de grandes shows e a
utilização integrada ao centro de convenções, localizado ao lado da Arena.
Por fim, uma reforma no porto também está prevista com o
objetivo de facilitar a chegada de torcedores vindos de outras cidades do
estado que não têm acesso por terra.
OBJETIVOS
O maior objetivo de Manaus é receber a Copa das
Confederações. Enquanto algumas sedes se preocupam em cativar Seleções
específicas visando o Mundial, a UGP Copa tem as atenções voltadas para a Fifa,
apesar de deixar clara a preferência em ser base de equipes asiáticas. Com
projeto para antecipação da conclusão das obras do estádio e até mesmo uma
medida provisória para utilização do aeroporto, a confiança está diretamente
ligada aos elogios recebidos após inspeções do comitê organizador do mundial.
- Eles sempre deixaram claro que somos fortes candidatos
pelo nosso empenho em adiantar nosso lado. Sempre nos dão essas respostas
positivas – revelou o coordenador Miguel Neto.
A Copa das Confederações será disputada entre 15 e 30 de
junho de 2013. Apesar de a Fifa não ter confirmado oficialmente, Rio de
Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Brasília e Porto Alegre surgem como
favoritas para receberem a competição. Manaus, por sua vez, não perde a
esperança.
AEROPORTOS
Considerado precário para receber um evento da magnitude de
uma Copa do Mundo, o Aeroporto Internacional Eduardo Gomes é apontado como a
maior preocupação pela UGP Copa. Com a necessidade de uma “obra significativa”,
de acordo com o coordenador Miguel Neto, o início dos reparos ainda depende de
uma licitação, com fim previsto somente para outubro.
Como se não bastasse o atraso para o início das obras,
Miguel Neto diz que há uma certa insegurança diante da impossibilidade de
fechar o local para as modificações.
- Seria mais fácil começar uma obra nova, do zero, como está
sendo no estádio. É algo complexo e que a Infraero tem que ter cuidado para não
resultar em atraso – analisou.
Apesar dos problemas, o coordenador garante que há um
projeto que viabiliza a realização da Copa das Confederações na cidade, com a
utilização somente do setor de embarque e desembarque para voos internacionais.
A conclusão completa da obra está prevista para dezembro de 2013.
HOTELARIA
Base da grande maioria dos turistas que têm a selva
amazônica como destino, os chamados hotéis de selva são a garantia de qualidade
e quantidade quando o assunto é hotelaria. Com cerca de 10 mil leitos
disponíveis, estes, em muitos casos resorts, estão sendo preparados para
absorver o consumidor da Copa do Mundo não somente visando os jogos do Mundial,
mas facilitando também o acesso a toda gama de atrações peculiares do local.
Já na área urbana, a disponibilidade é de cerca de 16 mil
leitos até 2012. Há ainda outros três hotéis com projetos que dependem da
aprovação da prefeitura para iniciarem a construção ainda neste ano.
INVESTIMENTOS
A estimativa é de que seja gastos R$ 3,4 bilhões na
preparação de Manaus para Copa do Mundo. Com investimentos dos poderes públicos
(municipal, estadual e federal) e da iniciativa privada, o valor está dividido
em R$ 534 milhões para Arena, R$ 1,7 bilhão em mobilidade urbana, R$ 415
milhões no aeroporto e R$ 86 milhões em melhorias no porto. A parte hoteleira é
toda da responsabilidade da iniciativa privada.









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