Reprodição: Blog do Menon
A eleição de abril confirmou o poder monolítico que Juvenal
Juvêncio tem, no São Paulo. Ele venceu por 163 votos contra apenas sete dados a
Edson Lapolla. Não há mais oposição e uma das consequências disso é que haverá
mais de um candidato da situação na próxima eleição, em abril de 2014.
O nome do dissidente é Marco Aurélio Cunha (que votou em
Juvenal), ex-gerente de futebol e atual vereador da cidade, pelo PSD do
prefeito Gilberto Kassab. “Há muita gente esperando ser ungida pelo Juvenal,
esperando ser escolhido por ele, mas a eleição vai ser no voto. E eu sou
candidato”, afirma. Seu adversário sairá do grupo mais próximo a Juvenal,
formado por Carlos Augusto Barros e Silva (Leco), João Paulo de Jesus Lopes,
Adalberto Batisa e Julio Casares.
Uma das críticas mais ácidas de Marco Aurélio à atual diretoria
é a forma de gestão do Centro de Formação de Atletas Laudo Natel, em Cotia.
“Aquilo não pode ser subsidiado, tem de ter renda própria, precisa se manter
sozinho”.
Para ele, esse dinheiro viria da venda de jogadores pouco
conhecidos, que nunca chegam ao time principal. “Há dois tipos de jogadores
revelados na base: os craques como Lucas e Casemiro que darão títulos e
patrimônio ao clube, jogando bem e depois sendo vendidos. E há outros jogadores
que nem ficam conhecidos e que podem render 300, 500 mil dólares cada um para
manter o funcionamento de Cotia. E esses jogadores nós estamos perdendo por
falta de um gerenciamento melhor”.
Rapidamente, ele cita nomes como os de Marco Antonio e Lucas
Gaúcho (atualmente na Portuguesa) e Aislan, no Guarani. “Foram liberados no
final do contrato e não ganhamos nada com isso. O Luiz Iaúca pode conseguir um
bom dinheiro com a liberação do Marco Antonio. O Aislan tem passaporte
estrangeiro. Não entendi a liberação do Lucas Gaúcho sem que o São Paulo
lucrasse um tostão. Esses jogadores e muitos outros são liberados, assim. O
clube precisava ter refeito o vínculo e conseguido uma boa transferência. E com
esse dinheiro que Cotia deve ser mantida”.
Marco Aurélio acredita que o São Paulo deveria lutar contra
agentes para ter o direito de conduzir a carreira desses jogadores. “Muita
gente prefere jogar no São Paulo por causa das instalações de Cotia. Por que
vai preferir um agente ao clube na hora de direcionar a sua carreira? O clube
poderia dar muito mais”.
Poderia. E é para isso que o ex-diretor direcionaria suas
ações como presidente. Com algo a mais a dar para o jogador. “Eu faria
imediatamente um projeto de clube B para o São Paulo. Uma coisa de alto nível.
Seria um acordo com um time da segunda divisão de Santa Catarina, que considero
o lugar ideal para esse tipo de ação. Eles tem 3% da população brasileira e 10%
dos times da série A. Há um ótimo mercado a ser explorado por lá. Com um time
na série B, com as cores do São Paulo, com uma comissão técnica do São Paulo, com
todo o apoio do Reffis (se houver uma contusão mais grave, o jogador vem se
tratar aqui), o time subiria para primeira divisão. Seria uma maneira de
crescimento do São Paulo, que passaria a ter uma torcida grande por lá”.
Esse São Paulo B seria o local de “desova” de jogadores que
não conseguissem atuar no time principal. “Estariam disputando um campeonato
forte, seriam observados, seria fácil fazer uma fita dos melhores momentos e
seria tranqüilo colocá-los em ligas menores da Europa. Haveria muito dinheiro
para o clube, Cotia seria financiada assim”.
Esse projeto de Marco Aurélio Cunha nunca teve muita
aceitação junto a Juvenal. João Paulo de Jesus Lopes tem visão contrária. Para
ele, os jogadores que deixam o clube precisam estar por perto, para que se
tenha um acompanhamento de seu desenvolvimento técnico. Entre as duas visões,
Juvenal preferiu a de João Paulo. Principalmente depois do fracasso que foi o
acordo com o Toledo, do interior do Paraná. O time recebeu um elenco de
jogadores do São Paulo – Sérgio Mota era o principal nome – e o treinador Sérgio
Baresi. Quase caiu para a segunda divisão. “Toledo foi uma escolha errada. Nem
aeroporto tem La, ficava um acesso muito difícil”, diz Marco Aurélio.
As palavras de Marco Aurélio deixam claro que haverá disputa
em 2014. No mínimo dois candidatos. E nenhum deles terá 7 votos.








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