Reprodução: Placar
(Matéria originalmente publicada no Jornal PLACAR (Edição
213, 6/12/2010)
Diretor-executivo do Clube dos 13 vê a Copa de 2014 como
trunfo para criar a liga nacional de futebol
Fundado em 1987, o Clube dos 13 nasceu com o ideal de ser a liga dos
clubes brasileiros. Mas, 23 anos depois, ele apenas faz o meio-campo nos
negócios com a TV. A novidade é que a entidade tenta seu grito de
independência da CBF para finalmente germinar aquela semente do passado.
“Só estou nesse cargo porque tenho certeza de que vamos criar nossa
liga. É agora ou nunca”, afirma Ataíde Gil Guerreiro, diretor-executivo
do Clube dos 13 e ex-vice-presidente da Federação Paulista. Por que
tanto otimismo? “A CBF já toma conta da seleção, que é extremamente
rentável, e ainda tem a Copa. Portanto não podemos perder a chance que a
França desperdiçou perto do Mundial de 98”, complementa, citando uma
liga mais fraca (técnica e financeiramente) em relação às da Inglaterra,
Espanha e Alemanha, cujos campeonatos são realizados sem a confederação
local.
O Inglês, por exemplo, era o nono da Europa em faturamento até a
temporada 1992-93, quando o banco Barclays ajudou a lançar a Premier
League. A ocupação nos estádios passou de 64% pra 92%. “Se os clubes se
unirem, é possível. Se isso acontecer no Brasil. Não tenho dúvida de que
poderia romper fronteiras e gerar grande interesse até nos países
sul-americanos, assim como fazemos em locais como China e Coreia”, opina
Francisco Roca Perez, diretor-executivo da Liga Espanhola.
A CBF, que afirma não ter o que comentar sobre esse “racha”, tem
aliados filiados ao Clube dos 13. Na eleição de abril, os filiados
racharam entre dois candidatos: Kléber Leite, apoiado por Ricardo
Teixeira (presidente da CBF), perdeu pra Fábio Koff por uma diferença de
quatro votos. Em jogo, interesses particulares e da Confederação
Brasileira, picuinhas e rivalidades históricas. “Precisamos juntar os
clubes”, diz Ataíde.
Teixeira (que também apita na organização das Olimpíadas do Rio, em
2016) está sendo investigado pelo Comitê Olímpico Internacional (COI)
pela denúncia da emissora britânica BBC de que a Fifa e dirigentes
ligados a ela teriam recebido propina da empresa suíça ISL nos anos 90.
Segundo a BBC, a ISL pagou a Teixeira cerca de 17 milhões de reais entre
agosto de 1992 e novembro de 1997. O escândalo pode enfraquecer
Teixeira e, por tabela, a CBF. Para a Fifa, trata-se de um caso
encerrado.








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